Aqueduto de Segóvia

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Publico aqui umas fotos que tirei ao famoso aqueduto de Segóvia, uma das grandes obras da engenharia romana que sobreviveu até aos nossos dias. Notar a ausência de argamassas entre blocos e as marcas de fórfex que tal como nas pontes, evidenciam a utilização de maquinaria para elevação e posicionamento dos diversos elementos construtivos.Mais uma construção que desafia a passagem dos tempos.

Ponte das Roçadas

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Esta ponte localiza-se no lugar das Roçadas, freguesia de Argoncilhe (Santa Maria da Feira), inserida num velho caminho velho do qual resta um pequeno troço de calçada antes da ponte (na foto). É muito provável que este troço fizesse parte da via romana entre Cale (Porto) e Vissaium (Viseu) que deveria desviar da via Bracara-Olisipo próximo do Monte Murado nos Carvalhos, rumando daqui para sudeste em direcção a Viseu, passando nesta Ponte das Roçadas e na Ponte do Carros em Sá (Sandim) onde atravessava o Rio Uíma. Na sua forma actual, a ponte das Roçadas é uma tosca reconstrução, mas   atendendo ao corte dos silhares usados no arco que é de volta perfeita e a sua integração num caminho antigo,  é possível que no seu lugar tivesse existido uma anterior de origem romana, hipótese que para já carece de confirmação.

Miliário de São Brissos

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Foto do miliário anepígrafo que está junto da Igreja Paroquial de S. Brissos, aldeia pertencente à freguesia de Santiago do Escoural em Montemor-o-Novo. É provável que este miliário tenha sido deslocado da via romana  entre Alcácer do Sal e Évora que corria um pouco mais a sul pelos Montes da Venda e dos Andrades, troço integrado no Itinerário XII de Antonino que ligava Olisipo (Lisboa) a Emerita Augusta (Mérida), capital da Lusitânia.  Mais um contributo de Paulo Manços, o autor da foto.

A ponte velha do Vouga não pode ser demolida!

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A queda da Ponte de Lamas de Vouga no passado dia 12 de Novembro não foi uma surpresa devido ao estado avançado de degradação dos pilares da ponte (desta vez felizmente sem vítimas). O que surpreende é a vontade da autarquia em demolir a ponte (!) (ver aqui notícia), uma decisão que espero venha a ser revogada porque esta ponte tem um grande valor patrimonial que não pode ser obliterado. A ponte actual é o resultado de sucessivas reparações, a última das quais foi o alargamento em betão feito pela JAE nos anos 30 para adapta-la ao tráfego moderno. Sabemos que a sua construção foi ordenada por D. João III em 1529 e que sofreu reparações em 1713 por ordem de D. João V que lhe terão dado a feição que ainda se vê hoje. De facto a ponte actual foi construída sobre a estrutura de uma ponte anterior da qual ainda são visíveis os pilares e os arranques dos arcos, conforme se pode ver na fotografia acima à direita.

Mas o principal argumento contra a demolição está na hipótese da ponte quinhentista ter sido construída sobre uma anterior romana, proposta baseada nos seguinte argumentos:  desde logo porque aqui era o ponto onde a grande via romana que ligava Bracara Augusta a Olisipo transpunha o rio Vouga, passagem controlada pela civitas Talabriga que fica no cabeço sobranceiro ao rio, conhecido como Cabeço do Vouga (estação arqueológica recentemente aberta ao público). Por outro lado, as típicas «marcas de pedreiro,» indicadores da sua cronologia medieval, estão já por cima dos arranques dos arcos da ponte anterior  (na foto da esquerda). Assim é possível que toda a base do pilar tenha origem romana, atendendo ao talhe perfeito dos silhares e ao acentuado  desgaste superficial. Mas o argumento definitvo que na minha opinião atesta a sua romanidade são as marcas de fórfex ainda visíveis em pelo menos 3 silhares da foto. (na foto da direita, o grande silhar ao nível do rio e os dois silhares da quinta fieira).

Em conclusão, esta ponte sobre o rio Vouga é um dos principais monumentos viários da época romana em território nacional e não deve ser demolida. Se esta lógica “demolidora” fosse sempre seguida certamente que não restaria uma única ponte romana em Portugal. Por outro lado, se o argumento invocado for o elevado custo de reparação, então basta deixar como está, removendo apenas os escombros do leito do rio. Exemplos desta solução são muitos como a vizinha Ponte do Marnel ou a Ponte da Ns. da Ajuda na estrada que ia para Olivença que apesar se terem perdido a sua função viária não deixam por isso de ser ainda hoje monumentos impressionantes. Quem pensaria hoje demolir a Ponte Rotto em Roma?

Diplomata et Chartae

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Diplomata et Chartae é uma colecção de 952 documentos do século IX ao XII recolhidos nos cartórios conventuais que foram incluídos no Portugaliae Monumenta Historica, uma grande compilação de documentos históricos medievais organizada por Alexandre Herculano e publicada pela Academia Real das Ciências de Lisboa em quatro tomos entre 1856 e 1888. Estes documentos contêm variadíssimas informações com relevância para o estudo da viação romana porque neles há muitas referências a estradas que na época já eram muito antigas com a designação de karraria antiqua, via antiquavia mourisca, etc. Atendendo a que poucas estradas se construíram desde o fim do império romano até ao século IX, é muito provável que estas sejam de facto vias romanas;
Ver a obra completa na Biblioteca Nacional PMH, 1867-1873 e os artigos de Pereira, 1907CAF Almeida, 1970 e CAB Almeida 1999.

Segue uma lista detalhada, mas não exaustiva, dessas referências com um link para o documento original e a região onde se inserem; a integração destes troços no sistema viário romano é no entanto muito problemática devido à alteração toponímica dos lugares mencionados; uma tentativa de integração destes troços pode ser consultada aqui.

Diplomata et Chartae
Doc. Pág. Local Referências
012 007 Lavra «karia antiqua»
013 008 Sta. Eulália do Covo «karraria antiqua» e «estrata de uereda»
017 011 Dume «via quam dicunt de Vereda»
067 038 Póvoa do Varzim «per carraria maurisca»
101 064 Mesão Frio «carrale antiqua»
104 066 Mealhada «via antiqua»
106 067 Vimieira «karraria de illa Vimeneira»
114 072 Santa Comba Dão «via antiqua»
151 094 Guilhabreu «carreira antiqua»
287 175 Santo Tirso «carrariam Antiquam»
366 223 Monte Córdova «carera antiqua»
443 276 Cossourado, Barcelos «carraria antiqua»
459 287 Fornelos «carraria antiqua» e «caria antiqua»
570 344 Paçô, A. de Valdevez «carreira antiqua»
614 368 Romariz «per via maurisca»
639 382 Arouca «carraria antiqua» e «via antiqua»
676 404 Antanhol, Coimbra «via publica»
688 412 Marco de Canaveses «carraria antiqua»
833 497 S. Tomé de Negrelos «cararia antiqua»
864 512 Ponte da Lagoncinha «ponte antiqua de flumine Avie»
888 527 Caldas de Aregos «karraria antiqua»

Miliários em Viana do Castelo

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Este conjunto de 5 miliários pertencentes à Via XIX Braga-Tui-Astorga, estavam depositados no jardim da antiga JAE (Junta Autónoma das Estradas) de Viana do Castelo, foram entretanto transferidos para as novas instalações da empresa (agora designada por Estradas de Portugal) em Darque, no n.º  1114, entre o km 1 e 2 da EN203 que liga Viana a Ponte de Lima.  Já era tempo de pensar em devolver estes miliários “andarilhos” aos seus locais de origem onde seriam mais valorizados do que nos terrenos de uma empresa pública. Segue-se a lista dos miliários (na foto, partindo da esquerda):

Bibliografia: RODRIGUEZ COLMENERO, Antonio; FERRER SIERRA, Santiago; ÁLVAREZ ASOREY, Rubén D. (2004) – “Miliarios e outras inscricións viarias romanas no noroeste hispánico”. Lugo: Consello da Cultura Galega. (Ler online; 22 Mb)

Miliário na Sé de Braga

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Fotos do miliário dedicado a Nerva que se encontra numa das entradas do claustro da Sé de Braga juntamente com um vasto conjunto de fustes de colunas. Este fragmento do miliário teria vindo da Quinta do Outeiro em Frossos pelo que pertencia à Via XIX Braga-Tui-Astorga, provavelmente assinalando a minha II desde Braga. Na foto da direita vê-se o corte lateral resultante da sua transformação em pedra de lagar, função que desempenhava na quinta pelo que estaria já deslocado do seu local original quando foi achado.

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